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com a devida vénia ao jornal electrónico Politico,que publicou estes cartoons.
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com a habitual vénia ao cartoon movement. sobre a única Terra que temos. e não, não sou ecologista, mas ecossensível. cada vez mais.
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Sou do sonho da Europa, mas também do pesadelo anunciado, e por ele vivo na esperança da floração das promessas, enquanto houver esperança, enquanto houver flores. Sublinho hoje esse sonho, que é de tantos, através desse meio livre de acção e pensamento que é o cartoon, contra o pensamento correcto, que mais devia chamar-se pensamento agrilhoado. Com a devida vénia ao cartoon movement
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Paulo Sande

PORTUGAL SUAVE

1. Entre os brandos costumes e a hipocrisia colectiva há uma linha fina, invisível, que não deixa perceber quando somos simplesmente tolerantes, ...brandos, compreensivos ou quando preferimos ignorar o que - prevaricação, ofensa, crime ou outra aleivosia qualquer - bem conhecemos, mas não reconhecemos, porque nos compromete, porque temos algo a perder, ou só… é uma chatice.

2. Até que um “coiso”-leack revela publicamente o crime ou a aleivosia de uma qualquer figura pública, logo gerando um coro de “virgens ofendidas” a protestarem nada saber, que surpresa! e, concorrendo em indignação, a apontar o dedo à ora vítima.

3. Isabel dos Santos, notável empresária. O quê, faz parte de um sistema cleptocrático que esbulhou o povo angolano? Brotam justiceiros de papel, muitos ainda na véspera a louvavam, beneficiavam das riquezas esbulhadas, é vê-los a vilipendiá-la, convencidos de nos convencerem que de nada nunca suspeitaram! Falam grosso nas televisões, escrevem em maiúsculas no FB, partilham anedotas no wapp, peças fundamentais de um júri digital que acusa, julga, condena. E executa.

4. O engº Sócrates tem fortuna confortável, graças a insuspeitas heranças maternas e à bondade sem fundo de um dos mais extraordinários amigos que algum ser humano jamais teve? Preso em Évora? Ah bandido, que me enganou!

5. O Dr. Salgado não é um impoluto banqueiro preocupado com accionistas e clientes? Criou um esquema assente em corrupção, participação económica em negócio, burla? Malandro… eu sempre soube, e fingi, sim senhor Dr., claro senhor Dr., ele sem desconfiar que eu sabia, mas sabia, nunca me enganou, o escroque! O quê?, não disse?, mas dizer o quê se todos sabiam quem ele era, o DDT, uma fraude? Cafajeste! Vai já um post violentíssimo no Face…

6. Facto é que os “varões de plutarco”, quando um “coiso”-leaks revela publicamente aquilo que estamos fartos de saber, logo rasgam as vestes em pública demonstração de tremenda indignação, vítimas inscientes do monstro de horrenda fauce.

7. Há racistas em Portugal? Pode lá ser, somos o povo mais bonzinho do mundo. Este não é um país racista – aliás, nem há países racistas, só pessoas racistas. Mas sempre que um acto de racismo, como um de corrupção ou violência, é recebido pelos portugueses em geral com indiferença, pretextando desconhecimento, passamos a ser todos responsáveis por ele.

8. O racismo – ódio aos que não são como nós, porque têm outra cor de pele – é irmão dilecto da misoginia, primo da homofobia, parente da raiva aos imigrantes. Integra um conjunto de características desagradáveis do ser humano, como a propensão para a violência, a inveja e a ambição desmedida. Ao longo dos séculos temos conseguido, colectivamente, superar muitos dos defeitos congénitos à natureza humana. Com isso, a que também usa chamar-se Civilização, elevamo-nos.

9. Choca a hipocrisia, é certo. O racismo, como outros males, apenas pode ser superado se as pessoas de boa vontade enfrentarem aquilo que sabem existir. Mas não ajuda ignorar os comportamentos selvagens, a corrupção dos princípios laboriosamente construídos como alicerces do ser novo que contraria Rousseau e conforta Hobbes. E isso também dá direito a que nos tratem colectivamente como racistas.

10. Portugal pode ser um país de brandos costumes. Mas há pouco de brando e muito de cobardia em ignorar o mal que medra no nosso seio.

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